A palestra no Results ON Week foi surpreendente, pelo menos para mim! Minha pré-concepção sobre jornadas de empreendedorismo me levou a esperar uma platéia fria, focada em negócios, ávida por ferramentas de gestão e absolutamente pragmática em relação ao tema da gestão. Bem, o que encontrei lá foi bem diferente.
A comunidade de pessoas que a Results ON vem ativando está bem mais para a inovação sustentável do que para o simples novo negócio lucrativo. Pude perceber pela perguntas, twittadas e conversas de cafézinho que os empreendedores conectados com o evento estavam realmente buscando um equilíbrio entre o sucesso e as melhores práticas de negócios para um mundo melhor.
Não levei nenhum roteiro para a palestra, pelo contrário, inverti totalmente os papéis de palestrante e platéia quando abri o encontro convidando todos a formularem perguntas. Mas perguntar o quê, seu ainda não havia falado nada, não é mesmo? E assim foi, ficamos lá quase três minutos em silêncio, mergulhados em um longo instante reflexivo. Até que alguém quebrou o encanto e fex uma pergunta sobre empreendedorismo. Daí seguimos numa dinâmica deconversação de pouco mais de uma hora.
Destaco aqui um momento do encontro que foi bastante provocativo. Quando eu disse que a inovação não surge apenas para conservar algo, ou seja, a inovação vem para reajustar um sistema que deseja se conservar, um certo incômodo pairou no ar! Então a inovação não existe, só existe a conservação? Bem, o que eu pude dizer é que tudo se organiza a partir do que desejamos conservar. Talvez esta seja a melhor pergunta que um empreendedor possa se fazer para avaliar constantemente a dinâmica de seu empreendimento. Quando desejamos conservar o negócio, a marca ou lucro, nossas decisões se pautam e se formam a partir destas coerências. Se desejamos conservar a satisfação dos clientes, o bem-estar do planeta e a própria saúde e alegria de nossos colaboradores, as decisões talvez sejam outras e os resultados produzidos também.
Falamos bastante sobre a condição humana e nossas características enquanto espécie. O fato de sermos seres cuidadores, que zelam por seus filhotes até certa idade e mantém uma estrutura para isto. Nossa linguagem, desenvolvida a partir de milhões de anos de convivência co-operativa. Nossas emoções como um fluxo imprevisível, íntimo e incontrolável que se entrelaça em nossa razão a cada momento. Olhamos para tudo isso e nos perguntamos, como é possivel reduzir isto tudo a uma simples condição de consumidor ou funcionário?
Me lembro também que alguém trouxe o caso de uma dupla de colaboradores que foram incentivados fortemente a manisfestarem seu entusiasmo, criatividade e empreendedorismo dentro do negócio. Quando finalmente isto aconteceu, eles foram embora para empreenderem sózinhos. A empresa reagiu e os contratou de volta com melhores condições, só que daí eles não apresentaram a mesma garra e resultados esperados. Eu analisei o caso lembrando que um funcionário teve, obviamente, uma vida pregressa à sua entrada na empresa. Em sua história de vida pessoal aquele jovem talvez ocupasse um espaço em sua casa onde ele tivesse que atuar a partir da trangressão, por exemplo, para ser visto e ouvido por seus pais em relação aos seus irmãos. E então este jovem se desenvolveu brilhantemente numa dinâmica pessoal de produzir transgredindo e foi contrado pela empresa por sua produtividade e perfil curricular, mas ignorando esta característica do jovem no espaço de convivência. Justamente aí, quando não enxergamos o ser humano que sustenta as competências que contratamos é que quebramos a cara e a relação se rompe. Só existem relações humanas, não podemos nos enganar em relação à isto, quando não vemos o outro ao nosso lado, seja nosso cliente, investidor ou colaborador, qualquer coisa pode acontecer, certo?
Terminei a palestra convidando um grupo de sete pessoas para o palco onde simulamos um fluxo de conversações cibernéticas dentro de uma empresa. Pudemos ver os departamentos conversando internamente, o fluxo que surge em encontros inter-departamentais, a inserção de novos funcionários neste cenário até mesmo ousamos incluir um cliente para conversar intergindo com uma equipe da empresa, pessoalmente ou pela internet. O exemplo foi absolutamente didático mas creio que serviu para desmistificar a principal ferramenta de ação da Papagallis, as conversações humanas.
Resumindo, gostei muito do clima do encontro. Me senti visto e ouvido a partir de mim mesmo. Pude desfrutar de uma grande diversidade de pessoas tanto no palco como na platéia, fiz novas amizades e passei a gostar ainda mais da pegada do @BobWollheim e do Thomaz Gomes, entre outros. Contem comigo neste jogo, em qualquer posição porque na torcida eu já estou.

