Arquivos de etiquetas: Destaques

Sobre Humberto Maturana

13 mai


Bilogia Cultural em São Paulo

Originally uploaded by Papagallis.

Muitos amigos me pedem que escreva algo sobre Maturana e a importância de seu trabalho. Bem, em minhas pesquisas na internet encontrei uma tese de Miriam Monteiro de Castro Graciano:
A TEORIA BIOLÓGICA DE HUMBERTO MATURANA E SUA REPERCUSSÃO FILOSÓFICA da qual tomo a liberdade de retirar um trecho de seu resumo, Aqui creio que temos uma apresentação formal de HM bastante razoável. Confiram:

Humberto Maturana é um neurobiólogo que concebeu uma teoria biológica do conhecimento. Ainda que o tenha feito sob um ponto de vista científico, sua teoria apresenta conceitos e noções originais que nos auxiliam em nossas reflexões filosóficas.

  • Primeiro, porque ele é um neurocientista falando do conhecimento, assunto tradicionalmente reservado à filosofia, a partir de um ponto de vista científico não reducionista.
  • Segundo, porque ele reconhece e aponta explicitamente, em um de seus artigos, que o conhecimento científico e filosófico não independem um do outro, pois trata-se de duas dimensões do viver humano.
  • Terceiro, porque, ao expor sua teoria, ele nos indica que, como seres vivos, somos constitutivamente incapazes de observar um mundo de objetos independentes daquilo que fazemos ao observá-lo.
  • Quarto, porque ele exclui a viabilidade da ocorrência de impressões sensíveis sem cair em uma perspectiva racionalista nem idealista, pois, como cientista, não abre mão do papel da experiência na produção do conhecimento.
  • Quinto, porque ele traz a contingência para o interior de uma proposição tautológica, apontando assim para a relatividade de nossos discursos sem fragilizar o seu próprio discurso. Através dessas questões, Maturana nos conduz em uma reflexão que é ao mesmo tempo epistemológica, ontológica e ética.

Carta a um amigo no Acre

17 mar

Upload feito originalmente por Primo Tacca Neto

Olá!

Amigo Marcelo. Daqui de onde estou te vejo falando em mobilização. E sinto que, apesar da urgência planetária, das necessidades de nosso país, das dificuldades amazônicas, das mazelas acreanas e de tudo que ainda falta para Rio Branco e no Irineu Serra, mesmo assim, cada pessoa vive exclusivamente sua própria vida. Cada um aí no Irineu Serra pensa e sente seu cotidiano a partir de sua exclusiva experiência íntima de vida.
Quando olhamos o viver de todos, podemos vê-los desconectados das causas ambientais. Quando observamos o bairro com seus habitantes, os percebemos ainda distantes de solucionarem seus problemas ecológicos e sustentáveis. Mas vale a pena lembrar que isto é apenas o olhar de alguém observando o viver de muitos. E neste olhar de um observador se faz muito importante criar uma ação de mobilização para consertar algo que este observador vê como errado.
Mas as pessoas apenas seguem suas vidas num viver cotidiano que lhes é sumamente importante. A roupa de cada um, o café da manhã de cada um, o transporte no ir e vir de cada um, o namoro, a fé e a festa de cada um são vividos apenas por ele mesmo, numa dimensão muito pessoal.
Quando buscamos mobilizar pessoas e elas não atendem podemos até ficar chateados, ou motivados a mobilizar ainda mais para que da próxima vez muitos outros venham. Mas nossas reações dizem respeito exclusivamente à nos, percebe?
Ou dizendo de modo mais simples, amigo: as pessoas só se mobilizam a partir de seus problemas. Gerar uma consciência sobre qualquer coisa em alguém, mesmo que seja sobre o meio-ambiente, significa trazer mais problemas para esta pessoa, percebe?
Então quando as pessoas se vêem mergulhadas em problemas sobre o meio-ambiente, então podemos dizer que estão mobilizadas, certo?
Mas aí temos um paradoxo. Como mobilizar pessoas para resolverem problemas que elas ainda não sabem que tem? E como motivar as pessoas a construir algo positivo convidando-as para experimentar algo negativo?
Por isto de uns tempos para cá temos trabalhado com outro tipo de abordagem. Convidamos as pessoas para estarem umas com as outras discutindo o que quiserem, qualquer problerma que estejam vivendo. Normalmente cada um traz um problema diferente do seu vizinho. E quando as pessoas começam a conversar sobre seus problemas diferentes, bem, novas conexões começam a surgir entre as pessoas na perspectiva de solução dos problemas. As pessoas começam a se ajudar com sugestões, dicas, informações e carinho!
Daí sim todos vão querer se reunir de novo. Afinal, quem não gosta de carinho, não é mesmo?
Tenha certeza que este tipo de encontro tem uma força muito grande pois estabelece micro-relações entre pessoas de uma mesma comunidade. Fortalece vínculos. Compartilha visões de futuro e esperança.
Se olharmos para nosso planeta hoje veremos que é justamente aí que as coisas estão precisando ser sustentadas. Antes das florestas acabarem, dos rios se secarem e do mar se contaminar, antes de tudo isso o que vem se extinguindo a muito tempo são as relações humanas!
A sustentabilidade das relações entre amigos, vizinhos, colegas, compadres e comadres é que pode salvar nosso planeta porque estas relações são de amor.
Se vocês conseguirem criar uma contexto de conversação humana onde as pessoas possam estar no fluir do viver desta amorosidade, falando de seus problemas de modo livre, sem uma pauta de assuntos controlados ou temas pré-propostos, tenha certeza que a inteligência de grupo dos cidadãos se transfomará em sabedoria da comunidade.
Nesta sabedoria, amigo, todos terão mais condições de resolverem seus problemas, cinlusive os ambientais.
E claro, não se esqueça do café quentinho, biscoitos, suco, frutas e caiçuma da boa, prá regar todo este espaço de boa convivência humana, ok?

Do seu irmão,

Luiz Algarra

Luiz Algarra no TEDx SP

15 nov

Luiz Algarra no TEDx SP

* Um momento muito especial para mim. Um espaço privilegiado onde pude viver uma experiência reflexiva inesquecível. Segue a A íntegra do texto que preparei para minha inspiração na apresentação no TEDx SP.

Foto by Rafael Hernandez

Me convidaram para falar aqui no TEDx SP mas antes de falar eu gostaria de ouvir.

Ouvir o que outro diz a partir de onde ele diz

O que o Brasil tem a oferecer ao mundo hoje?

Existe um sujeito perguntando, sempre.

Tudo que é dito é dito de um observador a outro que pode ser ela ou ele mesma.

Quem apenas vive, sem refletir, não tem o que perguntar. Segue vivendo.

O peixe que vive dentro da água não percebe a água.

Me lembro que quando era pequeno e fui passar o dia na casa de um colega de classe, filho de japoneses, conheci um modo de vida bem diferente da minha casa.

Quando voltei para casa comecei a perguntar porque as coisas lá em casa eram daquele modo.

Então nesta pergunta escuto alguém que viu o Brasil de fora, de um peixe que saiu da água e que, pela curiosidade ou pela dor, convida os outros peixes a refletirem sobre a água onde estão mergulhados.

O que o Brasil tem a oferecer ao mundo hoje?

Vou tentar perceber a partir de qual entendimento esta pergunta está sendo formulada. Vou construir a pergunta percebendo de onde eu a escuto. E vou tentar perceber os verbos que cada parte da pergunta me traz. (mais…)

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 2.011 other followers