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Panaméricas conversações em rede

21 set

Jay Cross, Luiz Algarra, Ignacio Muñoz e Paul Pangaro

Upload feito originalmente por Papagallis

Talvez a discussão interna que mais trouxe assunto para o grupo de organizadores deste encontro tenha sido acerca da natureza panamericana deste encontro. Esta oportunidade de reunir pessoas de países diferentes, com visões relativamente complementares e distintas sobre o conversar humano, parecia a todos nós algo digno de uma celebração. Entretanto alguns insistiam em buscar um título que expressasse essa grandeza através da dimensão geopolítica, panamericana, enquanto outros diziam que isto era pura bobagem institucional! Bem, não chegamos a conclusão alguma, ainda bem, e metemos um “panamericano” em letra minúscula antes do título oficial da Rede de Conversações Informais.

Nossa intenção ao realizarmos o encontro foi, em primeiro lugar, aproveitar a oportunidade de poder reunir três especialistas nas teorias e práticas da conversação, que dificilmente estariam juntos presencialmente, para uma conversa sobre o conversar humano.

Ignacio com sua vivência prolongada em círculos reflexivos no Instituto Matriztico de Humberto Maturana e Ximena Dávila. Paul Pangaro com sua experiência em cibernética das conversações derivada de sua estreita convivência com Gordon Pask. E Jay Cross com seus vinte anos de prática e produção textual sobre a aprendizagem informal nas empresas, acelerada pela chegada da internet e suas ferramentas de interação.

Com esta mistura imprevisível buscamos uma deriva de conversação que nos levasse a uma viagem inusitada e reveladora da matriz teórico-prática sobre as conversações humanas em nosso tempo, e creio que foi isto que experimentamos naquela noite.

Cada um deles nos conviou a perceber uma dimensão diferente do processo de conversação humana.

Jay Cross nos falou sobre a importância da liberdade de escolha dos indivíduos sobre o ritmo e conteúdo de seus aprendizados. Quando cada um pode decidir o que deseja aprender e quando, o aprendizado flue na coerência da necessidade e desejo de cada pessoa. O esforço de aprendizado então desaparece e toda nossa energia se focaliza naquilo que estamos aprendendo, melhorando muito nosso resultado de aprendizagem. As ferramentas web 2.0 surgem facilitando nossa relação com o aprendizado independente da hora ou lugar, garantindo que estejamos conectados quando, como e com quem quisermos na maior parte do tempo.

Paul Pangaro trouxe uma visão pragmática sobre como o formato das conversações influencia diretamente seu resultado. Paul usou os princípios da cibernética através dos quais a informação sobre cada ação deve retornar uma nova informação que nos permita calcular e ajustar a próxima ação, sempre na busca de uma meta desejada. Ocorre que na maior parte do tempo não cuidamos deste fluxo conscientemente. Nos esquecemos que uma conversação acontece em um contexto social, mediada por uma linguagem em comum, permitindo trocas recíprocas que podem gerar acordos circuntanciais que garantem transações satisfatórias para todos os envolvidos.

Ignacio Muñoz descreveu os fundamentos das conversações informais a partir da compreensão do viver humano pela Biologia Cultural, revelando nossa matriz relacional mais básica. Para ele as redes de conversações informais são todas aquelas que ocorrem em espaços relacionais sem formato, e sem estarem orientadas a um resultado esperado, sem outro propósito a não ser o de permitir o bem-estar entre pessoas que querem falar, escutar e serem escutadas. Estando desse modo abertas a coinspiração de coordenações de ações conjuntas, sempre poderão gerar bons resultados, porém absolutamentre espontâneos e, justamente po isso, muito potentes!

A partir daí a noite seguiu um fluxo conversacional fantástico! Nas laterais do palco mantivemos duas cadeiras livres para que qualquer um da platéia pudesse interagir com os convidados. Diversas pessoas ocuparam o espaço e tivemos questões que foram do mais puro pragmatismo funcional até a mais intangível e pura reflexão filosófica!

Entre os temas que merecem destaq ue podemos falar sobre a questão da confiança nos espaços de conversação, e de como esta é fundamental para contornarmos o medo que as conversações livres e sem propósito podem nos trazer!

Também falamos das precisões e ambiguidades das conversações, e de como os modelos mais hierárquicos ou paerticipativos surgem oferecendo melhores resultados.

Não houve uma conclusão final, nem este seria o o objetivo do encontro, mas todos saímos do auditório da FGV no campus Berrini, naquela noite de segunda-feira, com a sensação que gostaríamos de continuar conversando, ampliando nossas compreensões e realizando mais e mais possibilidades de ação a partir da força das conversações humanas. Muito especial!

Paul Pangaro, um mestre da cibernética

6 jul

Conheci Paul Pangaro através de minhas pesquisas na internet sobre cibernética. Por estes dias ele veio ao Brasil para uma série de encontros no Itaú Cultural e tivemos a oportunidade de conversar. Paul é uma pessoa vibrante que traz a cibernética em sua história e prática.

Paul Pangaro foi educado na universidade como estudante de graduação em ciência da computação e drama, e obteve um Ph.D. com Gordon Pask na Brunel University (UK) em cibernética. Trabalhou nos laboratórios de pesquisa ao lado de Jerry Lettvin, Nicholas Negroponte e Gordon Pask, e fundou a Pangaro Incorporated fem 1982, uma empresa voltada ao desenvolvimento de aplicação práticas da cibernética.

Atendeu durante 10 anos, com sua consultoria baseada em aplicações da teoria de Pask, clientes como o Exército Norte-Americano e o Almirantado da britânico no desenvolvimento e formação para as operações de uma usina nuclear de energia. Ele trabalhou por dez anos no Vale do Silício, ora atuando como consultor, ora ocupando cargos como diretor de tecnologia de empresas iniciantes de internet, chegando a ser diretor-sênior e estrategista de mercado da Sun Microsystems.

Agora, baseado em New York City, ele é co-fundador de uma consultoria (http://cyberneticlifestyles.com) para organização, marketing e formatação de produtos para startups, além de trabalhar com equipes de inovação em organizações como o Citigroup.

Este encontro com Paul deve gerar diversos fluxos de conversação com a Papagallis e creio que será de grande importância em nossas pesquisas e aplicações cibernéticas nas conversações e processos de aprendizagem que organizamos. Foi um prazer te conhecer, Paul!

Conversações, linguagem e possibilidades

9 mar

Tela da apresentação da Lígia/Cláudia

Preparei esta reflexão e montei uma apresentação sobre pensamento sistêmico, redes sociais, linguagem, narrativas e aprendizagem. Talvez vocês gostem.

Construindo redes como netweavers de segunda ordem

5 jul


Drosting Hands

Upload feito originalmente por Josh Sommers

Emprestando um conceito da cibernética gostaria de convidar a todos a uma reflexão sobre nossos papéis como netweavers nas redes que incentivamos.

Na década de 80 houve um desenvolvimento no campo da Cibernética que resultou na passagem da Cibernética de Primeira Ordem ou dos Sistemas Observados para a Cibernética de Segunda Ordem ou dos Sistemas Observantes. Melhor explicando: O sistema deixa de ser observado de fora pelo observador que passa para uma postura de co-participação na observação do sistema em pleno funcionamento. Assim novas tendências foram incluídas à prática sistêmica pois era preciso quebrar ou evoluir dos ideais lineares para os circulares.

Bem nesta época diversos profissionais atuavam como “animadores de redes”, principalmente nos ambientes de educação à distância (EAD) visando sobretudo reduzir a taxa de desistência dos cursos online através de interações e provocações motivacionais. Projetos de gestão do conhecimento contratavam monitores, tutores e animadores de rede para ambientes onde deveriam ocorrer o compartilhamento de conhecimento, produção e troca de informações entre os usuários (assim eram chamados) destes ambientes virtuais.

Estes animadores de rede assumiam uma posição de poder neutro, mediando debates, cobrando presença, mensurando resultados e organizando as interações entre os membros do ambiente virtual referido. Obviamente estas estratégias resultavam em alterações do comportamento das pessoas conectadas mas não apresentavam resultados satisfatórios, pelo contrário, a maioria se sentia incomodada e invadida quando tocada por este tipo de recurso.

A principal diferença entre este “animadores de rede” e os netweavers, a partir da evolução da Cibernética de Primeira Ordem para a Cibernética de Segunda Ordem, diz respeito à compreensão do lugar que ocupamos na rede, saido de uma condição de detentores do poder, como mediadores, para uma posição mais igualitária de co-responsabilidade e co-inspiração junto ao integrantes da rede.

Para isso é preciso, antes de mais nada, que cada um de nós se assuma como um ser humano que traz em si a dinâmica de uma história individual repleta de critérios próprios. Cada um de nós, netweavers, trazemos introjetados em nossos valores, uma família e cultura que usamos como parâmetros para nos orientarmos dentro da realidade que distinguimos como válida e na qual acreditamos estarmos inseridos.

Aceitando então que não somos neutros nem imparciais, e nos observando enquanto alguém que vê e ouve tudo de um lugar íntimo pessoal intransferível, não estaremos mais nos mitificado como experts, especialistas em fazer redes ou orientá-las de algum modo, (como se isso fosse possível).

Poderemos então assumir conscientemente a característica de facilitadores do diálogo, utilizando cada um de nós, de seu mundo interno na co-construção de uma realidade co-ordenada entre os membros da rede.

O conceito de auto-reflexividade passa a ocupar uma posição central, significando “um diálogo interno do indivíduo consigo mesmo e a tomada de consciência dos próprios preconceitos e teorias através das quais se vê e compreende o outro e o ambiente circundante” (Boscolo & Bertrando, 1996). Esta é uma importante mudança epistemológica, pois amplia e aprofunda os efeitos da abertura da “caixa preta”, favorecendo a passagem de uma visão reducionista, baseada na descoberta de padrões comportamentais, para uma visão de maior complexidade e abertura, inclusive em direção ao mundo interno do indivíduo, suas histórias, seus significados e suas emoções.

Essa mudança epistemológica permite uma nova compreensão sobre a circularidade, que passa de uma “categoria de observação” para uma “postura de interação”, demandando do netweaver uma sensibilidade em perceber os comportamentos verbais e não-verbais dos membros da rede, assim como as nuanças de suas próprias respostas nesse contexto interacional. É importante que o netweaver esteja atento a todos os recursos disponíveis. Quanto mais astuta ou perspicaz for a observação, mais as perguntas poderão estar refinadas para perceber as respostas da rede, e mais próximos e implicados estaremos do grupo.

É nesse contexto que todos se tornam responsáveis, numa atividade de construção conjunta, pela emergência de hipóteses, questionamentos e novos significados, num encontro que agrupa não só as crenças e relações entre os membros, mas os pressupostos e construções advindos de nossa própria experiência e dos valores sustentados em nossas interações com outros relacionamentos familiares, sociais e culturais. Esta arquitetura lingüística permite a construção de uma ética característica deste um encontro quase mágico entre o netweaver e rede. Ou melhor dizendo, um encontro humano, com tudo de simples e extraordinário que isto evoca em nosso cotidiano neste planeta.

* Este artigo foi originariamente escrito por Luiz Algarra para a Escola de Redes na inspiração do Simpósio em Campos do Jordão entra as conversações dos papagaios (Mafeteco, Alblum, Richieri, Lígia e Munduruca) sobre a terapia familiar sistêmica da Escola de Milão.

Porque quero querer o que quero?

21 fev

Preparamos uma versão bem básica de uma linha do tempo da teoria de sistemas. A wikipedia serviu como fonte de consulta. É apenas um rascunho inicial a ser desenvolvido progressivamente.

A ajuda de todos é muito bem-vinda.

http://www.xtimeline.com/timeline/Teoria-de-Sistemas

Porque estamos estudando Teoria de Sistemas? Bem, começamos a entender qua cibernética e o pensamento complexo está, em última análise, nos fundamentos das reflexões sobre conversações humanas.

Considerando que tudo que é dito é dito de um observador a outro que pode ser ele ou ela mesmo. Ou seja, entendendo que a realidade não existe em si e nós, observadores, vivemos nos coordenando em interações para operar como operamos, então os sitemas complexos, com observações de segunda e quarta ordem. são uma excelente fonte de reflexões para quem busca responder perguntas do tipo: Porque quero querer o que quero?

E por aí vamos…

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