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Como podemos conviver na unidade e diversidade, colaborando ou apenas co-existindo?

21 abr

Respondendo a uma pergunta reflexiva de Ignacio Muñoz Cristi:

Daqui de onde escuto a pergunta de Inacio, distinguo um potente convite a refletirmos sobre nossas dinâmicas relacionais em um mundo sustentável. Cada vez mais vivemos nas grandes metrópoles, e aqui estamos cercados de pessoas muito diferentes de nós. Gente de todo tipo de perfil profissional, político, cultural e religioso. Tribos, grupos, torcidas e gangues de seres humanos absolutamente distintos. Vivemos todos lado a lado, formamos conjuntos humanos agrupados em bairros, empresas e associações. Seguimos assim acoplados em cada um desde conjuntos vivendo numa totalidade. Uma totalidade composta pela diversidade humana!

O respeito pelo outro surge como algo fundamental neste espaço. Perceber quem está ao nosso lado e aceitar sua expressão individual, dentro dos limites da cidadania, é fundamental para evitarmos os constantes conflitos entre nós. Regras e leis passam a regular nossa urbanidade, regulando o trânsito, punindo os preconceitos e normatizando os micro-direitos de cada um.

Mecanismos sociais de coexistência começam a surgir com força de necessidade neste século XXI. Mas esta coexistência é impessoal, genérica, fria. Esta coexistência regulada assegura nossa integridade física, patrimonial e emocional, mas não permite que possamos ir além disso, não possibilita que desfrutemos de tudo que a amorosidade humama pode gerar no seio de uma comunidade.

Quanta criatividade poderia emergir destes encontros! Quanta riqueza na solução de problemas e construção de bem-estar teríamos se soubéssemos estar uns com os outros numa perspectiva colaborativa. Que dinâmica fantástica poderia surgir quando vivêssemos no respeito mútuo pelo outro, entendendo que, a partir de si mesmo, do que viveu e conhece, o outro é 100% válido em suas crenças e opiniões.

Vejam bem, não falo sobre uma aceitação baseada na tolerância. Nem de uma amorosidade utópica. Falo do amar que surge a partir do entendimento de que vivemos realidades completamente distintas, onde cada um de nós conhece o mundo em um devir de experiência únicas e instranferíveis. Falo de uma amorosidade fundante de nossa espécie, nós como mamíferos cuidadores que por milhões de anos conviveram na aceitação mútua de seus filhotes, em coordenações de coordenações que permitiramo surigmento de uma linguagem sofisticada.

Então temos uma origem colaborativa, um fluxo biológico cultural que nos trouxe até bem pouco tempo atrás, como seres harmoniosos e coordenados. Eventos de nossa deriva civilizatória tem nos trazido, nos últimos 10 mil anos, a um caminho de guerra, intolerância e submetimento.

Ouço a pergunta de Inacio: “Como podemos conviver na unidade e diversidade, colaborando ou apenas co-existindo?” com um convite à uma reflexão que poderá ampliar nossa visão e nos levar a um outro espaço relacional, mais harmonioso e sustentável.

Playback Theatre recontando a vida

24 mar

Hoje tive a oportunidade de assitir uma demonstração de Playback Theatre. Fui convidado pela Lillian Bartolo que já conhecia o trabalho do grupo e me apresentou ao Antônio Ferrara, diretor do trabalho, que me convidou a participar de uma sessão numa manhã de terça-feira.

Éramos umas vinte pessoas, uma platéia seleta, acomodados em almofadas numa grande sala no segundo andar de um sobrado charmoso perto do Metrô Paraíso. Logo que cheguei já conheci Antônio Ferrara, um altivo psicólogo que a mais de dez anos descobriu o Playback Theatre e, encantado, abraçou a ténica.

Um homem alto, com mais de sessenta anos mas absolutamente conservado. Com modos suaves, fala segura, sorriso amigo e olhar atento, Ferrara foi anfitrionando a platéia ao redor de uma mesa de café da manhã, já xcriando o clima do espetáculo.

Assim que subimos e nos sentamos entrou o elenco, uma turma de seis ou setes atores vestido de preto. Um músico quebrou o silêncio com violão e percussão e Ferrara abriu o espetáculo pedindo que cada ator declarasse um pequeno acontecimento vivido recentemente, qualquer coisa.

Então vimos a trupe se aquecendo enquanto representava no improviso situações banais de congestionamento, discussão com uma filha e uma noite de insônia. Reagindo ao enredo a trupe desabrochava uma cena e trazia a situação vivida por cada um deles para bem diante dos nossos olhos, ali mesmo no palco.

Feito o aquecimento Ferrara convidou alguém da platéia a ocupar uma cadeira vazia no palco e contar uma história de vida onde a vitória fosse o componente principal. Uma jovem executiva levantou a mão e topou participar. Ferrara sentou-se ao seu lado e com toda naturalidade e delicadeza foi deixando emergir a série de acontecimentos que transformou uma menina pobre e órfã de mãe em uma bem-sucedida mulher de negócios. Enquanto ela narrava alguns atores foram sendo designados para os personagens. Mãe, pai, amigas e ela mesma estavam no palco, de um momento para o outro. E então começou.

Não havia de início grandes interpretações, apesar da extrema competência de todo o elenco, nem um texto primoroso e elaborado, já que nem tiveram tempo de ensaiar ou construir um roteiro. Mas aos poucos as cenas foram ganhando corpo. A vida da convidada começou a brotar nas falas, nos gestos e nos olhares. O elenco foi entrando em um sincronismo ao mesmo tempo mágico e banal! A vida cotidiana de uma pessoa comum estava ali, ornada em uma dimensão narrativa poderosa. Simples mas extremamente comovente. Muitos de nós choravam, numa emoção absolutamente legítima.

O enredo desenredou, a narrativa se narrou e a história se contou. No final estávamos todos aplaudindo, com grande entusiasmo.

Tivemos alguns momentos para elaborar a experiência uvindo o que a convidada disse e aproveitando algumas observações de Ferrara.

O que esta história nos trouxe? Quais lições nos apresentou? E os valores, virtudes e forças positivas deste bem contado conto, o que nos trouxeram? Falamos sobre isto tudo percebendo um saldo adicional importante da experiência. Foi uma grande dose de humanidade!

Tivemos mais uma história depois dessa, a luta e cura de um câncer! Maravilha. E no encerramento Ferrara pediu para alguém declarar seus sentimentos para a modelagem da cena final.

Tive o privilégio de falar e trouxe uma percepção que em mim estava muito forte naquele momento.

Vi ali que todas nossas histórias são uma mesma histõria. Percebi que nosso enredo é único: a conservação da vida. Entendi que todos os pais são nossos pais e todas as mães são nossas mães. Vi que aqueles que nos cuidam e de quem cuidamos são os mesmos, personagens ideênticos e múltiplos num caledoscópio de variações. Vi o mundo girar sobre si mesmo, e a gente junto, num contar histórias que nos inventa e reinventa a séculos! Vi que eu era eu, e todos também. Simples, não?

Soube depois do espetáculo que o Playback Theatre pode ser aplicado em empresas, comunidades e associações como poderosa ferramenta de resgate da humanidade, força e vida destes grupos humanos. Funciona muito bem para platéias pequenas como a nossa ou para grandes multidões (chegaram a fazer espetáculos para 3500 pessoas aqui em São Paulo). Os aprendizados que surgem desta experiência são um importante valor que fica ancorado em cada um da platéia.

Depois de tudo ainda conversei longamente com o elenco, revi um amigo querido e terminei o passeio com uma bela foto diante da casa do Playback Theatre. Valeu mesmo, pessoal!

Para saber mais visite: http://www.playbacktheatre.com.br/

Carta a um amigo no Acre

17 mar

Upload feito originalmente por Primo Tacca Neto

Olá!

Amigo Marcelo. Daqui de onde estou te vejo falando em mobilização. E sinto que, apesar da urgência planetária, das necessidades de nosso país, das dificuldades amazônicas, das mazelas acreanas e de tudo que ainda falta para Rio Branco e no Irineu Serra, mesmo assim, cada pessoa vive exclusivamente sua própria vida. Cada um aí no Irineu Serra pensa e sente seu cotidiano a partir de sua exclusiva experiência íntima de vida.
Quando olhamos o viver de todos, podemos vê-los desconectados das causas ambientais. Quando observamos o bairro com seus habitantes, os percebemos ainda distantes de solucionarem seus problemas ecológicos e sustentáveis. Mas vale a pena lembrar que isto é apenas o olhar de alguém observando o viver de muitos. E neste olhar de um observador se faz muito importante criar uma ação de mobilização para consertar algo que este observador vê como errado.
Mas as pessoas apenas seguem suas vidas num viver cotidiano que lhes é sumamente importante. A roupa de cada um, o café da manhã de cada um, o transporte no ir e vir de cada um, o namoro, a fé e a festa de cada um são vividos apenas por ele mesmo, numa dimensão muito pessoal.
Quando buscamos mobilizar pessoas e elas não atendem podemos até ficar chateados, ou motivados a mobilizar ainda mais para que da próxima vez muitos outros venham. Mas nossas reações dizem respeito exclusivamente à nos, percebe?
Ou dizendo de modo mais simples, amigo: as pessoas só se mobilizam a partir de seus problemas. Gerar uma consciência sobre qualquer coisa em alguém, mesmo que seja sobre o meio-ambiente, significa trazer mais problemas para esta pessoa, percebe?
Então quando as pessoas se vêem mergulhadas em problemas sobre o meio-ambiente, então podemos dizer que estão mobilizadas, certo?
Mas aí temos um paradoxo. Como mobilizar pessoas para resolverem problemas que elas ainda não sabem que tem? E como motivar as pessoas a construir algo positivo convidando-as para experimentar algo negativo?
Por isto de uns tempos para cá temos trabalhado com outro tipo de abordagem. Convidamos as pessoas para estarem umas com as outras discutindo o que quiserem, qualquer problerma que estejam vivendo. Normalmente cada um traz um problema diferente do seu vizinho. E quando as pessoas começam a conversar sobre seus problemas diferentes, bem, novas conexões começam a surgir entre as pessoas na perspectiva de solução dos problemas. As pessoas começam a se ajudar com sugestões, dicas, informações e carinho!
Daí sim todos vão querer se reunir de novo. Afinal, quem não gosta de carinho, não é mesmo?
Tenha certeza que este tipo de encontro tem uma força muito grande pois estabelece micro-relações entre pessoas de uma mesma comunidade. Fortalece vínculos. Compartilha visões de futuro e esperança.
Se olharmos para nosso planeta hoje veremos que é justamente aí que as coisas estão precisando ser sustentadas. Antes das florestas acabarem, dos rios se secarem e do mar se contaminar, antes de tudo isso o que vem se extinguindo a muito tempo são as relações humanas!
A sustentabilidade das relações entre amigos, vizinhos, colegas, compadres e comadres é que pode salvar nosso planeta porque estas relações são de amor.
Se vocês conseguirem criar uma contexto de conversação humana onde as pessoas possam estar no fluir do viver desta amorosidade, falando de seus problemas de modo livre, sem uma pauta de assuntos controlados ou temas pré-propostos, tenha certeza que a inteligência de grupo dos cidadãos se transfomará em sabedoria da comunidade.
Nesta sabedoria, amigo, todos terão mais condições de resolverem seus problemas, cinlusive os ambientais.
E claro, não se esqueça do café quentinho, biscoitos, suco, frutas e caiçuma da boa, prá regar todo este espaço de boa convivência humana, ok?

Do seu irmão,

Luiz Algarra

Avaliando a CIRS 2010

15 mar



Open Space CIRS 2010

Upload feito originalmente por Papagallis

Na dimensão afetiva foi uma oportunidade única de estar com pessoas que adoro, em conversas livres e fluentes. Só isso já valeria o encontro.
Por um ponto de vista mais amplo, percebi que a CIRS se consolidou como um evento coeso, bem (auto)organizado e de grande extensão (a tag CIRS chegou a se destacar no ranking mundial do Twitter!).
Quanto à programação achei bem diversificada, com conteúdos referentes a diversas expressões da cultura de rede.
O público me pareceu formado por curiosos e especialistas. Pessoas antenadas no tema mas sem experiência ou formação, e profissionais pesquisadores já com alguma prática e teoria avançadas. Um bom mix de pessoas.
Parabéns a todos que organizaram a estrutura básica do evento e uma saudação especial ao Augusto de Franco que conseguiu aquele espaço fantástico da FIEP para abrigar este encontro.
Gostei muito, e se tiver mais, estarei por lá ajudando, em rede!

Um passeio pelo pensamento complexo, linear e sistêmico

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Prezi Lígia Giatti

Lígia Giatti e Cláudia Rodrigues prepararam esta apresentação como parte integrante do curso de Jogos Cooperativos na Universidade UNIMONTE, em Santos. O ponto de partida foi o livro As Paixões do Ego, de Humberto Marioti, com referências cruzadas da Biologia Cultural de Humberto Maturana e Ximena Dávila. Como o trabalho deLígia aqui na Papagallis passa por todos estes conceitos, achamos por bem compartilhar com todos estas reflexões. Puxem uma cadeira e acompanhem a narrativa. Pode parecer um pouco complexo mas logo se torna bem simples, sem perder a complexidade, é claro.

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