Diálogos Incertos




Diálogos Incertos

Originally uploaded by Lalgarra.

Dediquei um dia para participar dos Diálogos Incertos, evento realizado durante todo o dia 16 de abril no Espaço Terra, em Embu das Artes, São Paulo. O projeto surgiu a partir de uma série de conversações que a Papagallis ativou junto à Traveland Viagens e Turismo.

Minha palestra no TEDx SP gerou interesse e curiosidade entre a equipe da Traveland e isto disparou uma deriva dialógica que veio se realizar neste encontro.

Para mim foi uma oportunidade única. Pude convidar diversos amigos com quem à tempos gostaria de estar conversando sobre Biologia Cultural: Dalton Martins, Maria Fernanda T. da Costa, Cecília Brasiliense e, claro, Ignacio Muñoz, antropólogo chileno, biólogo cultural por formação e prática que atuou junto ao Instituto Matríztico de Humberto Maturana e Ximena Dávila por muitos anos, e que veio do Chile especialmente para o encontro!

Adorei estar com todos eles e com diversos novos amigos que emergiram a partir deste encontro, inclusive o Alexandre Machado, jornalista veterano que desde os tempos da TV Gazeta eu não via e que agora, tendo retomado contato comigo, também apareceu no encontro

Na foto fui clicado por Bruno Fernandes que esteve no encontro conversando e fotografando.

. Vamos ver agora quando teremos outra oportunidade como esta, tudo ainda é incerto, e esta é a maior potência deste projeto.

Playback Theatre recontando a vida

Hoje tive a oportunidade de assitir uma demonstração de Playback Theatre. Fui convidado pela Lillian Bartolo que já conhecia o trabalho do grupo e me apresentou ao Antônio Ferrara, diretor do trabalho, que me convidou a participar de uma sessão numa manhã de terça-feira.

Éramos umas vinte pessoas, uma platéia seleta, acomodados em almofadas numa grande sala no segundo andar de um sobrado charmoso perto do Metrô Paraíso. Logo que cheguei já conheci Antônio Ferrara, um altivo psicólogo que a mais de dez anos descobriu o Playback Theatre e, encantado, abraçou a ténica.

Um homem alto, com mais de sessenta anos mas absolutamente conservado. Com modos suaves, fala segura, sorriso amigo e olhar atento, Ferrara foi anfitrionando a platéia ao redor de uma mesa de café da manhã, já xcriando o clima do espetáculo.

Assim que subimos e nos sentamos entrou o elenco, uma turma de seis ou setes atores vestido de preto. Um músico quebrou o silêncio com violão e percussão e Ferrara abriu o espetáculo pedindo que cada ator declarasse um pequeno acontecimento vivido recentemente, qualquer coisa.

Então vimos a trupe se aquecendo enquanto representava no improviso situações banais de congestionamento, discussão com uma filha e uma noite de insônia. Reagindo ao enredo a trupe desabrochava uma cena e trazia a situação vivida por cada um deles para bem diante dos nossos olhos, ali mesmo no palco.

Feito o aquecimento Ferrara convidou alguém da platéia a ocupar uma cadeira vazia no palco e contar uma história de vida onde a vitória fosse o componente principal. Uma jovem executiva levantou a mão e topou participar. Ferrara sentou-se ao seu lado e com toda naturalidade e delicadeza foi deixando emergir a série de acontecimentos que transformou uma menina pobre e órfã de mãe em uma bem-sucedida mulher de negócios. Enquanto ela narrava alguns atores foram sendo designados para os personagens. Mãe, pai, amigas e ela mesma estavam no palco, de um momento para o outro. E então começou.

Não havia de início grandes interpretações, apesar da extrema competência de todo o elenco, nem um texto primoroso e elaborado, já que nem tiveram tempo de ensaiar ou construir um roteiro. Mas aos poucos as cenas foram ganhando corpo. A vida da convidada começou a brotar nas falas, nos gestos e nos olhares. O elenco foi entrando em um sincronismo ao mesmo tempo mágico e banal! A vida cotidiana de uma pessoa comum estava ali, ornada em uma dimensão narrativa poderosa. Simples mas extremamente comovente. Muitos de nós choravam, numa emoção absolutamente legítima.

O enredo desenredou, a narrativa se narrou e a história se contou. No final estávamos todos aplaudindo, com grande entusiasmo.

Tivemos alguns momentos para elaborar a experiência uvindo o que a convidada disse e aproveitando algumas observações de Ferrara.

O que esta história nos trouxe? Quais lições nos apresentou? E os valores, virtudes e forças positivas deste bem contado conto, o que nos trouxeram? Falamos sobre isto tudo percebendo um saldo adicional importante da experiência. Foi uma grande dose de humanidade!

Tivemos mais uma história depois dessa, a luta e cura de um câncer! Maravilha. E no encerramento Ferrara pediu para alguém declarar seus sentimentos para a modelagem da cena final.

Tive o privilégio de falar e trouxe uma percepção que em mim estava muito forte naquele momento.

Vi ali que todas nossas histórias são uma mesma histõria. Percebi que nosso enredo é único: a conservação da vida. Entendi que todos os pais são nossos pais e todas as mães são nossas mães. Vi que aqueles que nos cuidam e de quem cuidamos são os mesmos, personagens ideênticos e múltiplos num caledoscópio de variações. Vi o mundo girar sobre si mesmo, e a gente junto, num contar histórias que nos inventa e reinventa a séculos! Vi que eu era eu, e todos também. Simples, não?

Soube depois do espetáculo que o Playback Theatre pode ser aplicado em empresas, comunidades e associações como poderosa ferramenta de resgate da humanidade, força e vida destes grupos humanos. Funciona muito bem para platéias pequenas como a nossa ou para grandes multidões (chegaram a fazer espetáculos para 3500 pessoas aqui em São Paulo). Os aprendizados que surgem desta experiência são um importante valor que fica ancorado em cada um da platéia.

Depois de tudo ainda conversei longamente com o elenco, revi um amigo querido e terminei o passeio com uma bela foto diante da casa do Playback Theatre. Valeu mesmo, pessoal!

Para saber mais visite: http://www.playbacktheatre.com.br/

Carta a um amigo no Acre

Upload feito originalmente por Primo Tacca Neto

Olá!

Amigo Marcelo. Daqui de onde estou te vejo falando em mobilização. E sinto que, apesar da urgência planetária, das necessidades de nosso país, das dificuldades amazônicas, das mazelas acreanas e de tudo que ainda falta para Rio Branco e no Irineu Serra, mesmo assim, cada pessoa vive exclusivamente sua própria vida. Cada um aí no Irineu Serra pensa e sente seu cotidiano a partir de sua exclusiva experiência íntima de vida.
Quando olhamos o viver de todos, podemos vê-los desconectados das causas ambientais. Quando observamos o bairro com seus habitantes, os percebemos ainda distantes de solucionarem seus problemas ecológicos e sustentáveis. Mas vale a pena lembrar que isto é apenas o olhar de alguém observando o viver de muitos. E neste olhar de um observador se faz muito importante criar uma ação de mobilização para consertar algo que este observador vê como errado.
Mas as pessoas apenas seguem suas vidas num viver cotidiano que lhes é sumamente importante. A roupa de cada um, o café da manhã de cada um, o transporte no ir e vir de cada um, o namoro, a fé e a festa de cada um são vividos apenas por ele mesmo, numa dimensão muito pessoal.
Quando buscamos mobilizar pessoas e elas não atendem podemos até ficar chateados, ou motivados a mobilizar ainda mais para que da próxima vez muitos outros venham. Mas nossas reações dizem respeito exclusivamente à nos, percebe?
Ou dizendo de modo mais simples, amigo: as pessoas só se mobilizam a partir de seus problemas. Gerar uma consciência sobre qualquer coisa em alguém, mesmo que seja sobre o meio-ambiente, significa trazer mais problemas para esta pessoa, percebe?
Então quando as pessoas se vêem mergulhadas em problemas sobre o meio-ambiente, então podemos dizer que estão mobilizadas, certo?
Mas aí temos um paradoxo. Como mobilizar pessoas para resolverem problemas que elas ainda não sabem que tem? E como motivar as pessoas a construir algo positivo convidando-as para experimentar algo negativo?
Por isto de uns tempos para cá temos trabalhado com outro tipo de abordagem. Convidamos as pessoas para estarem umas com as outras discutindo o que quiserem, qualquer problerma que estejam vivendo. Normalmente cada um traz um problema diferente do seu vizinho. E quando as pessoas começam a conversar sobre seus problemas diferentes, bem, novas conexões começam a surgir entre as pessoas na perspectiva de solução dos problemas. As pessoas começam a se ajudar com sugestões, dicas, informações e carinho!
Daí sim todos vão querer se reunir de novo. Afinal, quem não gosta de carinho, não é mesmo?
Tenha certeza que este tipo de encontro tem uma força muito grande pois estabelece micro-relações entre pessoas de uma mesma comunidade. Fortalece vínculos. Compartilha visões de futuro e esperança.
Se olharmos para nosso planeta hoje veremos que é justamente aí que as coisas estão precisando ser sustentadas. Antes das florestas acabarem, dos rios se secarem e do mar se contaminar, antes de tudo isso o que vem se extinguindo a muito tempo são as relações humanas!
A sustentabilidade das relações entre amigos, vizinhos, colegas, compadres e comadres é que pode salvar nosso planeta porque estas relações são de amor.
Se vocês conseguirem criar uma contexto de conversação humana onde as pessoas possam estar no fluir do viver desta amorosidade, falando de seus problemas de modo livre, sem uma pauta de assuntos controlados ou temas pré-propostos, tenha certeza que a inteligência de grupo dos cidadãos se transfomará em sabedoria da comunidade.
Nesta sabedoria, amigo, todos terão mais condições de resolverem seus problemas, cinlusive os ambientais.
E claro, não se esqueça do café quentinho, biscoitos, suco, frutas e caiçuma da boa, prá regar todo este espaço de boa convivência humana, ok?

Do seu irmão,

Luiz Algarra

Avaliando a CIRS 2010



Open Space CIRS 2010

Upload feito originalmente por Papagallis

Na dimensão afetiva foi uma oportunidade única de estar com pessoas que adoro, em conversas livres e fluentes. Só isso já valeria o encontro.
Por um ponto de vista mais amplo, percebi que a CIRS se consolidou como um evento coeso, bem (auto)organizado e de grande extensão (a tag CIRS chegou a se destacar no ranking mundial do Twitter!).
Quanto à programação achei bem diversificada, com conteúdos referentes a diversas expressões da cultura de rede.
O público me pareceu formado por curiosos e especialistas. Pessoas antenadas no tema mas sem experiência ou formação, e profissionais pesquisadores já com alguma prática e teoria avançadas. Um bom mix de pessoas.
Parabéns a todos que organizaram a estrutura básica do evento e uma saudação especial ao Augusto de Franco que conseguiu aquele espaço fantástico da FIEP para abrigar este encontro.
Gostei muito, e se tiver mais, estarei por lá ajudando, em rede!

Conduzindo um aquário no Campus Party 2010

Quem está conectado está em rede?


Um pouco atrasado mas ainda em tempo, publico aqui o vídeo do debate que mediei no Campus Party 2010. Os convidados Augusto de Franco (Escola de Redes) Bob Wollheim (Sixpix) Martha Gabriel (professora e consultora de mídias sociais) Walter Lima Jr (pesquisador e professor da Faculdade Cásper Líbero) e Rafael Pallarés (Terra) se reuniram em um aquário de conversações para uma acalorada conversação. Acompanhem.