Luiz Algarra – Pensamento, palavra e ação

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Pensamento, palavra e ação

Luiz Algarra no TEDx SP

Luiz Algarra no TEDx SP

* A íntegra do texto que preparei para minha inspiração na apresentação no TEDx SP.

Foto by Rafael Hernandez

Me convidaram para falar aqui no TEDx SP mas antes de falar eu gostaria de ouvir.

Ouvir o que outro diz a partir de onde ele diz

O que o Brasil tem a oferecer ao mundo hoje?

Existe um sujeito perguntando, sempre.

Tudo que é dito é dito de um observador a outro que pode ser ela ou ele mesma.

Quem apenas vive, sem refletir, não tem o que perguntar. Segue vivendo.

O peixe que vive dentro da água não percebe a água.

Me lembro que quando era pequeno e fui passar o dia na casa de um colega de classe, filho de japoneses, conheci um modo de vida bem diferente da minha casa.

Quando voltei para casa comecei a perguntar porque as coisas lá em casa eram daquele modo.

Então nesta pergunta escuto alguém que viu o Brasil de fora, de um peixe que saiu da água e que, pela curiosidade ou pela dor, convida os outros peixes a refletirem sobre a água onde estão mergulhados.

O que o Brasil tem a oferecer ao mundo hoje?

Vou tentar perceber a partir de qual entendimento esta pergunta está sendo formulada. Vou construir a pergunta percebendo de onde eu a escuto. E vou tentar perceber os verbos que cada parte da pergunta me traz. Read the rest of this entry »

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Marcelo Tas e Luiz Algarra

Luiz Algarra e Marcelo Tas

Upload feito originalmente por Papagallis

Nos anos 80 conheci Marcelo Tas no movimento de vídeo independente em São Paulo. Naquela época éramos bem jovens e havíamos acabado de por as mãos em equipamentos de vídeo profissional portátil. Com isso fazíamos vídeos, reportagens, documentários, programas de tv e o que mais houvesse para experimentar algum tipo de ousadia política ou estética. O Tas, assim como eu, trabalhava na frente e atrás das câmeras.

Hoje Marcelo continua ousando na TV mas nós dois também estamos no mesmo território da internet, tecendo redes, experimentando novos modelos de interação e construção de espaços de encontro.

E nestes encontros aqui estamos nós no seminário Sociedade em Rede e a Educação promovido pelo Instituto Vivo, momentos antes de entrarmos para a abertura dos debates.

Um abraço, Marcelo!

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Rede de educação sobre educação em rede da VIVO

Educação em Rede na VIVO

Upload feito originalmente por Papagallis

Realmente não pensei que estaria em 2009 participando de uma discussão lúcida sobre os rumos da educação no Brasil em um ambiente corporativo, ainda mais em uma das maiores empresas do Brasil. A muitos anos venho refletindo e atuando na construção de alternativas para o nosso sistema educacional. Estamos aprendendo de um modo tolo, antigo e despropositado. Meus filhos estão sentados nos mesmo bancos escolares do século XIV.

Criei a Papagallis para aplicar metodologias de aprendizagem informal justamente para exercitar e difundir novas formas de aprendizado. Me especializei em redes inclusive para disseminar um novo modelo mental onde as pessoas podem viver, trabalhar e aprender em uma mesma perspectiva humana. Participei de inúmeras reuniões de pais nas escolas dos meus filhos. Estive em debates e seminários questionando a forma que aprendemos hoje. E até pouco tempo me sentia uma minoria isolada quixoteando discursos aos vento. Por isto me surpreendi bastante quando no seminário A Sociedade em Rede e a Educação me vi no auditório do Instituto Vivo ouvindo José Pacheco da Escola da Ponte bradar que a melhor ação para a educação brasileira seria fecharmos o Ministério da Educação.

Augusto de Franco, mestre tecelão de redes, inspirou e ajudou a organizar este encontro que, mais do que uma simples transgressão, aponta um eixo de mercado que começa a se orientar para um questionamento forte do modo como aprendemos hoje dentro das salas de aula.

No site da Papagallis publicaremos uma análise mais ampla do encontro mas aqui não pude deixar de registrar minha surpresa por perceber que, de algum modo, a roda da história começa a andar, mesmo para as instituições mais retrógadas e conservadoras que existem: as escolas.

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Uma entrevista para Jorge Bodansky

Aqui um momento especial para mim onde Jorge Bodansky me entrevista para a TV NAVEGAR.

A TV NAVEGAR é uma TV via Internet com ênfase nas questões socioambientais. É aberta, gratuita, e está disponível a qualquer pessoa interessada em divulgar e compartilhar conhecimento. Na TV NAVEGAR é possível publicar material produzido com equipamentos amadores ou profissionais. O importante é compartilhar! Para conferir acesse: http://tvnavegar.com.br.

A TV NAVEGAR faz parte do projeto Navegar Amazônia, do Jorge Bodansky e uma rede de colaboradores de todo o Brasil.

Não deixem de conhecer.

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Feliz com o meu tambor!



Upload feito originalmente por campuspartybrasil

Aqui estou eu numa roda de samba no fim de noite do Campus Party 2009. Comprei este Djembê no mês passado depois de dois anos de namoro com o instrumento. Saí tocando com algumas gravações, tomei coragem e coloquei no porta-malas do carro. Quando vi a roda se formando fui buscar o tambor e me arrisquei entre os bambas.

Ao meu lado está o Ronaldo Richieri com sua sanfona. Não sei se o meu som estava muito bom, mas com certeza eu estava muito feliz.

Por isto eu digo, amigos, nunca é tarde para começar a tocar um instrumento.

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O encontro de Humberto Maturana e Augusto Pinochet


Waiting for the rain…

Originally uploaded by Anne*°.

Compartilho aqui com vocês uma história narrada ontem pelo Prof. Humberto Maturana em nosso curso de Biologia Cultural. Maturana era professor universitário por ocasião do golpe militar no Chile em 1973 e aqui transcrevo a história de seu encontro com Augusto Pinochet.

“Em 1984 recebi um convite branco com letras douradas, um convite para jantar com Augsuto Pinochet na casa da moneda.
Outros professores universitários receberam um convite semelhante.
Conversamos e todos decidiram que não poderíamos recusar!
Minha mãe me disse naquela ocasião:
- Filho, comporte-se lá lembrando que você tem filhos!
Então no dia e hora lá estavam todos, presentes ao jantar.
Todos em um grande salão, cerca de 85 pessoas em sua grande maioria universitários.
Então chega Pinochet acompanhado de um homem que sabia exatamente quem era cada um de nós.
O ditador foi apresentado e apertou a mão de um por um.
Já na mesa de jantar, todos juntos, Pinochet levanta seu copo e convida:
- Vamos brindar à nossa pátria.
E todos brindam.
Louças de primeira, comida deliciosa.
Então Pinochet toma o microfone mais um vez e diz:
- Fiquem tranquilos porque hoje não haverá discursos.
Como não havia espaço de falas, decidi fazer um brinde, aproveitando o espaço de brinde criado por Pinochet.
Então me levanto, levanto meu copo e digo:
- Eu também quero brindar pela pátria.
Silêncio sepulcral! As moscas que voavam caíam congeladas!
O vinho fica imóvel nas taças.
Então eu disse:
- Todos aqui, reunidos como estamos, indica que este é um momento de sucesso em qualquer governo.
Estamos hoje aqui como homens simples do chile que somos, incluindo nosso presidente, então brindo para que possamos contribuir para gerar a autonomia intelectual e a liberdade cultural do Chile!
Silêncio absoluto! Pinochet levanta sua taça brindando, toma um gole, põe a taça sobre a mesa e aplaude quatro vêzes.
Todos repetem seus gestos também aplaudem quatro vêzes!
Um colega me cochichou:
- Que lindo!
Um outro comentou:
- Vamos terminar em Putre (onde ficava um campo de concentração).
Terminamos de comer e fomos ao salão para tomar um aperitivo.
Então eu disse.
- Preciso ir!
- Isso depende do dono da casa, me comentou um colega.
Então vamos falar com Pinochet que ele está só:
- Estimado presidente lhe apresento Humberto Maturana, distinto biólogo.
Pinochet me olhou nos olhos e disse:
- Professor, digo-lhe que compartilho de seus desejos.
- Que como dizes, seja como faças, senhor.
Ele apenas me olhou sem alterar sua expressão.

Na hora de partir mais uma vez passei por ele e Pinochet disse simplemente:
- Tchau.
- Tchau.
Respondi com um aceno de mão.
Depois recebi telefonemas de colegas dizendo:
- Gracias, você nos devolveu nossa dignidade.
E outro:
- Você pode nos ter condenado a todos!
Mas nada de mau nos aconteceu, pelo menos não nos meses que se seguiram.
Dez anos após este episódio, fui preso e levado à interrogatório pela polícia de Pinochet, mas esta é outra história!

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Conversando num carrosel mexicano

Esta viagem aconteceu para mim de forma absolutamente inesperada. Fui convidado para facilitar um encontro de planejamento de uma empresa de consultoria organizacional na Cidade do México e dez dias depois estava embarcando na Aeromexico rumo ao meu destino.

A batalha para tirar um passaporte novo (o meu estava vencido) e obter o visto no consulado do México foi uma aventura à parte!

Não conhecia o país, nunca tive contato com mexicanos e não domino com fluência o espanhol. Pesquisei um pouco da cultura mexicana para tentar entender alguns aspectos importantes para meu trabalho. Read the rest of this entry »

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Jay & Luiz

Jay & Luiz - Upload feito originalmente por jaycross
Quando fundei a Papagallis foi a partir de uma inspiração ao ver o Mapa da Aprendizagem Informal de Jay Cross. Eu nem conhecia o cara mas quando bati o olho naquele mapa e percebi seus conceitos de aprendizagem sem esforço, entendi que um novo caminho estava se apresentando para mim. Tudo isso está descrito nestes posts que publiquei naquela época.
Pois bem, esta semana Jay estev em São Paulo e tive a oportunidade de estar com ele em diversas ocasiões. Almoçamos, jantamos, visitamos o Museu da Língua Portuguesa, A Pinacotec do Estado, o Itaú Cultural e a exposição FILE 2008.
Nos divertimos muito e eu pude conversar sobre todos os meus assuntos favoritos. Aprendizagem informal, desconferência, worldcafé, novos modelos de aprendizagem. comunidades de prática, aprendizado em rede e muito mais.
E ainda por cima olha eu aí no Flickr no Jay Cross! Parece até um sonho. Depois de dois anos de convivência pela web nos encontramos como velhos amigos!
Essa é a força da rede moçada. Vale a pena experimentar…

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Vamos ver como será amanhã…

Me Fish!
Upload feito originalmente por Hamed Saber

Tenho estado um pouco acabrunhado nos últimos dias! Estou fora de casa a quase um mês, entre cursos e atividades pelo Brasil, e minha família está distribuída em férias por toda a parte. Entrei numa escuridão individual nos últimos dias e comecei a me perguntar mais uma vez “Por que faço o que faço?” e “Quero querer fazer o que faço?”. Toda essa reflexão me levou a ficar bem mais calado e isolado das redes em que opero. Foi bacana sentir um bocado de gente se aproximando para saber se eu precisava de algo. Valeu pessoal!

Ocorre que parei para fumar um cigarro (de vez em quando gosto de tabaco) de palha no hall do edifício em São Paulo e vi uma grande área livre para convívio social. O espaço estava escuro e quase não se via nada mas pude perceber que ali caberiam umas cinquenta ou setenta pessoas arrumadas em mesas redondas para conversação. O prédio tem quase quinhentas pessoas e seria sensacional de pudéssemos nos encontrar para conversar desprentenciosamente sobre a vida, um dia destes.

Então tive uma espécie de insight. Todo o processo de concientização que tenho experimentado desde minha participação no Global Forum America Latina em junho, catalisou na percepção de que o tema mais relevante para qualquer conversação neste momento é, sem dúvida alguma, sustentabilidade.

Um de sentimento de entusiasmo e responsabilidade me invadiu. Percebi que teria plenas condições de organizar um encontro como este aqui mesmo no prédio e que teria inúmeros apoios para fazê-lo! Me lembrei das ações locais com temas globais e de sua importância nos processos de transformação em nossa sociedade. Me vi agindo na promoção de um evento como este e senti imediatamente uma ativação pessoal super-forte. Pronto, estava de novo conectado com meus propósitos e com minhas fontes de energia.

Imaginei as pessoas dos apartamentos convivendo e conversando sobre sustentabilidade nas mais diversas perspectivas. Enxerguei os comerciantes da região apoiando a iniciativa, o dono da padaria fornecendo pão, café e bolachas. Sonhei com as escolas e universidades do bairro enviando alunos e professores para engrossar o diálogo. E até alguém da sub-prefeitura estaria presente no encontro. E mesmo que não viesse mais ninguém, apenas um punhado de moradores, já valeria a pena o esforço.

Sim, porque parece que estou começando a entender que a sustentabilidade é um tema que se realiza na intimidade do mundo de cada pessoa, para depois acontecer fora de nós, em nosso meio-ambiente e economia. Então a experiência legítima de conversação sobre sustentabilidade com pessoas de nosso entorno é o menor passo possível para seja lá o que for que possível fazer nesse momento em nosso planeta.

Bem, enquanto escrevo este post, quase com o dia amanhecendo, ouso propor a mim mesmo uma ação de mobilização em meu edifício para continuidade de nosso viver e de nosso bem estar como seres humanos vivos co-habitando o planeta terra.

Vamos ver como será amanhã…

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