Como podemos conviver na unidade e diversidade, colaborando ou apenas co-existindo?
21/04/2010 4 comentários
Respondendo a uma pergunta reflexiva de Ignacio Muñoz Cristi:
Daqui de onde escuto a pergunta de Inacio, distinguo um potente convite a refletirmos sobre nossas dinâmicas relacionais em um mundo sustentável. Cada vez mais vivemos nas grandes metrópoles, e aqui estamos cercados de pessoas muito diferentes de nós. Gente de todo tipo de perfil profissional, político, cultural e religioso. Tribos, grupos, torcidas e gangues de seres humanos absolutamente distintos. Vivemos todos lado a lado, formamos conjuntos humanos agrupados em bairros, empresas e associações. Seguimos assim acoplados em cada um desde conjuntos vivendo numa totalidade. Uma totalidade composta pela diversidade humana!
O respeito pelo outro surge como algo fundamental neste espaço. Perceber quem está ao nosso lado e aceitar sua expressão individual, dentro dos limites da cidadania, é fundamental para evitarmos os constantes conflitos entre nós. Regras e leis passam a regular nossa urbanidade, regulando o trânsito, punindo os preconceitos e normatizando os micro-direitos de cada um.
Mecanismos sociais de coexistência começam a surgir com força de necessidade neste século XXI. Mas esta coexistência é impessoal, genérica, fria. Esta coexistência regulada assegura nossa integridade física, patrimonial e emocional, mas não permite que possamos ir além disso, não possibilita que desfrutemos de tudo que a amorosidade humama pode gerar no seio de uma comunidade.
Quanta criatividade poderia emergir destes encontros! Quanta riqueza na solução de problemas e construção de bem-estar teríamos se soubéssemos estar uns com os outros numa perspectiva colaborativa. Que dinâmica fantástica poderia surgir quando vivêssemos no respeito mútuo pelo outro, entendendo que, a partir de si mesmo, do que viveu e conhece, o outro é 100% válido em suas crenças e opiniões.
Vejam bem, não falo sobre uma aceitação baseada na tolerância. Nem de uma amorosidade utópica. Falo do amar que surge a partir do entendimento de que vivemos realidades completamente distintas, onde cada um de nós conhece o mundo em um devir de experiência únicas e instranferíveis. Falo de uma amorosidade fundante de nossa espécie, nós como mamíferos cuidadores que por milhões de anos conviveram na aceitação mútua de seus filhotes, em coordenações de coordenações que permitiramo surigmento de uma linguagem sofisticada.
Então temos uma origem colaborativa, um fluxo biológico cultural que nos trouxe até bem pouco tempo atrás, como seres harmoniosos e coordenados. Eventos de nossa deriva civilizatória tem nos trazido, nos últimos 10 mil anos, a um caminho de guerra, intolerância e submetimento.
Ouço a pergunta de Inacio: “Como podemos conviver na unidade e diversidade, colaborando ou apenas co-existindo?” com um convite à uma reflexão que poderá ampliar nossa visão e nos levar a um outro espaço relacional, mais harmonioso e sustentável.





