Interessante essa questão de que todo ser humano busca o bem-estar. Quando vemos um viciado em heroína, um terrorista-bomba ou um suicida convicto nossa primeira reação é pensar que talvez eles não estejam mantendo seu bem-estar, que são um ponto fora da curva.Ocorre que o bem-estar de que falo tem a ver com a congruência de cada ser humano com o meio em que vive no exato momento de seu viver. Então o terrorista mantém uma explicação de si mesmo a partir de um domínio de conhecimento, de um conjunto de crenças e valores que confirma para ele que morrer explodindo pessoas é viver no bem-estar. O suicida busca alívio ou redenção ou “seja-lá-o que-for” no momento de sua decisão fatal, mantendo sua congruência com o meio no presente em que vive.

Então o bem-estar humano é algo contigencial ao momento presente em que vivemos porque só vivemos no momento presente, certo? Nosso passado e nosso futuro são apenas explicações que formulamos sobre nós mesmos, no momento presente.

Entretanto quando nos encontramos para uma conversação em um ambiente livre, sem exigências, sem pressões nem competições, onde a liberdade plena de expressão é favorecida pelas condições do meio, temos a oportunidade de perceber outras visões, diferentes da nossa, e então nossa visão pode se alterar um pouco, que seja um pouco, para que possamos nos manter em congruência com o meio em que naquele momento estamos.

Não é mágica, ver as pessoas conversarem livremente até construirem por si mesmas opiniões incrementalmente diferentes, mas parece mágica! Isto porque em nosso cotidiano vivemos conversações em espaços controlados quase o tempo todo.

Dizemos o que dizemos a partir do que é esperado que digamos, muitas e muitas vêzes durante o dia. E ouvimos geralmente apenas o que consideramos válido e possível, fora disso apenas escutamos, descartando o que não se harmoniza com nossas idéias!

Essa pobreza de diálogo se repete também nas escolas, nas igrejas e na mídia, e segue preservando costumes, instituições e grupos sociais, conservando a sociedade e sufocando os indivíduos. Isto aqui já estava desde que nasci, estabelecido pela continuidade das sociedades patriarcais/matriarcais que se mantém pela exigência e pela não-validação dos indivíduos.

O que podemos fazer quanto a isso? Bem, que tal apenas sentarmos diante de um café para conversar livremente sobre tudo isso, ou sobre o que mais quisermos a cada momento na conservação de nosso bem-estar?

* Este post surgiu como um comentário para um post de Juliano Spyer (“As sutilezas das metodologias de conversação presencial – cada vez aprendo mais” em seu blog Não-Zero)

Upload da foto feito originalmente por siqui sanchez

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  1. Anacarolina

    Taí, um jeito livre de conversar… parece óbvio, mas não é! que louco isso… Eu gostaria muito de participar de uma dessas conversas promovidas pela Papagallis. Me interesso por temas como comunicação interativa, gestão de conhecimento e mídia social, entre outros. Como devo proceder? Obrigada, Carol

    Responder

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