Refletindo sobre o Brasileirar no TEDxSP
29/07/2010 Deixe um comentário
Um momento muito especial para mim. Um espaço privilegiado onde pude viver uma experiência reflexiva inesquecível. Espero que goste!
Pensamento, palavra e ação
29/07/2010 Deixe um comentário
Um momento muito especial para mim. Um espaço privilegiado onde pude viver uma experiência reflexiva inesquecível. Espero que goste!
20/07/2010 Deixe um comentário
Foi sem dúvida alguma uma grande oportunidade. Estive apresentando uma palestra para um público de pouco mais de duzentas pessoas sobre cibernética e conversações. Em Curitiba, durante três dias, estiveram reunidos profissionais de comuicação da Petrobrás para um grande encontro de conversação e alinhamento. Na manhã do terceiro dia pude estar com eles conversando sobre um novo olhar a respeito de comunicação e conversação.
O tema da palestra foi exatamente: Comunicação no Equilíbrio Dinâmico em Rede. Comecei apresentando os fundamentos da cibernética. A cibernética estuda os fluxos de informação de um sistema, e o modo que esta informação é utilizada pelo sistema como um valor que permite ao sistema controlar-se a si mesmo, se ajustando para seguir em direção ao seu objetivo inicial.
Falei de metas e de sistemas orientados a metas. Sobre seres humanos que se pautam por metas imediatas e de longo prazo. De como conservamos metas desde a infância, por exemplo, e só nos damos conta disso quando as realizamos, ou não.
Cibernética é uma palavra que tem origem grega e significa algo como “a arte em navegar”. A meta surge como elemento organizador do fluxo de infromações e ações de um sujeito que navega. Remamos em direção a algo e quando percebemos que estamos nos afastando de nosso rumo, corrigimos o curso.
Os ciberneticistas explicam que humanos fazem isto o tempo todo, se orientando por objetivos simples ou complexos. Controlamos a nós mesmos, relativamente, e quase nada ao meio em que vivemos. Não temos controle sobre a economia, o clima e as doenças, ou sobre o amor, por exemplo. Então seguimos ajustando nossas condutas, falas e ações de modo a manter um rumo coerente em direção ao que desejamos. Aposentadoria, riqueza, aventura ou poder? O que cada um de nós deseja? E como organizamos nossa vida para alcançarmos nossa meta?
Então as questões básicas, principalmente dentro de uma organização onde os acordos e contratos são claros, podem ser: Quais são nossas metas?
Temos métricas para checar se estamos no rumo certo? Quais controles podemos operar?
Quando nos movemos em direção a uma meta e algo nos impede, buscamos entender o que ocorre para seguir adiante. O sinal de que estamos no caminho errado é percebido como um feedback, ou retroalimentação, por nosso sistema, daí vem o ajuste. Mas, e quando não percebemos nada, quando apenas seguimos em frente sem poder checar nosso rumo? E isto acontece com frequencia nas organizações.
Apesar de estarmos constantemente nos relacionando a partir de metas, planos, ajustes e ações, a falta de tempo ou de fluxo relacional impede que possamos perceber o retorno de nossas ações. As estruturas hierárquicas restringem os fluxos de compartilhamento destas informações. Daí então navegamos no escuro. Numa deriva total!
Sem retorno de nossas ações não podemos ajustar nossos planos, estamos sempre dependemos de comando e controle externo.
Em atividades simples e repetitivas comando e controle apresentam algum resultado, por algum tempo. Mas nos cenários complexos, com transições constantes, o modelo hierárquico tradicional não se mostra eficaz. Então como podemos estar mais ou menos coordenados?
Surgem então as Conversações Cibernéticas como um modo das pessoas conservarem suas coordenações em um espaço relacional hierárquico acoplado a um cenário dinâmico. São uma ampliação possível dos espaços de encontro humano que permite a inclusão dos ajustes naturais dos entendimentos, acordos e ações das pessoas, a partir da retroalimentação nos fluxos de informações.
Podem acontecer em três níveis, distintos ou simultâneos.
Devem ocorrer com frequência. sem pauta, tema ou direcionamento. Podem ser registradas informalmente e devem garantir todo o espaço de expressão para a subjetividade pessoal.
Sabendo que tudo que ocorre no viver humano surge a partir das conversações, apenas resgatando uma dimensão de troca, construção e convivência poderemos ter em um grupo a emergência de criatividade, inovação e harmonia necessárias à riqueza da empresa e da sociedade.
Bem, de modo bastante sintético foi este o conteúdo apresentado no 5º Fórum Petrobras de Soluções de Comunicação. Espero que os convidados sigam reflexivamente olhando para este assunto, e que seja de grande proveito a todos.
06/07/2010 1 comentário
Conheci Paul Pangaro através de minhas pesquisas na internet sobre cibernética. Por estes dias ele veio ao Brasil para uma série de encontros no Itaú Cultural e tivemos a oportunidade de conversar. Paul é uma pessoa vibrante que traz a cibernética em sua história e prática.
Paul Pangaro foi educado na universidade como estudante de graduação em ciência da computação e drama, e obteve um Ph.D. com Gordon Pask na Brunel University (UK) em cibernética. Trabalhou nos laboratórios de pesquisa ao lado de Jerry Lettvin, Nicholas Negroponte e Gordon Pask, e fundou a Pangaro Incorporated fem 1982, uma empresa voltada ao desenvolvimento de aplicação práticas da cibernética.
Atendeu durante 10 anos, com sua consultoria baseada em aplicações da teoria de Pask, clientes como o Exército Norte-Americano e o Almirantado da britânico no desenvolvimento e formação para as operações de uma usina nuclear de energia. Ele trabalhou por dez anos no Vale do Silício, ora atuando como consultor, ora ocupando cargos como diretor de tecnologia de empresas iniciantes de internet, chegando a ser diretor-sênior e estrategista de mercado da Sun Microsystems.
Agora, baseado em New York City, ele é co-fundador de uma consultoria (http://cyberneticlifestyles.com) para organização, marketing e formatação de produtos para startups, além de trabalhar com equipes de inovação em organizações como o Citigroup.
Este encontro com Paul deve gerar diversos fluxos de conversação com a Papagallis e creio que será de grande importância em nossas pesquisas e aplicações cibernéticas nas conversações e processos de aprendizagem que organizamos. Foi um prazer te conhecer, Paul!
07/06/2010 Deixe um comentário
Buscando referências e exemplos sobre cibernética, enquanto lia AN INTRODUCTION TO CYBERNETICS by W. ROSS ASHBY, tive um estalo e me lembrei de uma série de poemas-puzzle de Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo seu pseudônimo Lewis Carroll. Autor, poeta, matemático, charadista e enigmista, Carroll embutiu em seus textos diversos truques matemáticos disfarçados em palavras e sentenças na língua inglesa. Entre estes jogos de palavras estão so DOUBLETS.
Conheci os DOUBLETS no livro “o anticrítico” de AUGUSTO DE CAMPOS que os apresenta assim:
…e já os concreto doublets (1880)
jogo sério joco-sério
“curiosa matemática”
onde as palavras opostas devem ser obtidas
com o menor número de palavras interpostas
diferindo entre si
por uma letra
BLACK
blank
blink
clink
chink
chine
whine
WHITE
Lewis Carrol fala dos doublets assim:
O resultado das minhas meditações foi uma nova espécie de Puzzle — nova pelo menos para mim — que [...] vos ofereço, como uma noz acabada de colher, para ser quebrada pelos dentes omnívoros que já mastigaram tantos dos vossos Duplos Acrósticos. As regras do Puzzle são bastante simples. [...] Disseram-me que há um jogo americano envolvendo um princípio semelhante. Nunca o vi, e posso apenas dizer dos seus inventores, “pereant qui ante nos nostra dixerunt!”
L. C., carta ao Vanity Fair, Março de 1879.
Para mim aí está uma metáfora simples de uma progressão cibernética.
DEUS
meus
maus
mais
cais
CAOS
O que temos aqui não é uma série de palavras mas um fluxo, um movimento que constrói um novo significado para cada palavra.
NO encadeamento do fluxo DEUS e CASO surgem como parte de um mesmo sistema, fundem-se em uma mesma totalidade, apesar de isoladamente serem opostos. Considerando neste exemplo DEUS como sinônimo de ORDEM, claro.
TUDO
ludo
lodo
lado
nado
NADA
A próxima palavra só é possível a partir da anterior. Cada palavra tem seu significado próprio, mas sua integridade se dissolve na próxima palavra, como se esta já contivesse a próxima em si mesma.
LONGE
monge
monte
ponte
ponto
porto
PERTO
O movimento é fractal. Apenas a menor fração da palavra se modifica, a letra, e vai surgindo uma outra forma oposta à sua origem, sempre em um suave movimento. A alteração da letra obedece entretanto um princípio regulador que é o sentido que a palavra deve ter. Palavras inexistentes não podem ser usadas no jogo.
MANHÃ
manha
manda
mando
bando
bardo
tardo
TARDE
tardo
tordo
mordo
morto
morte
norte
NOITE
Aqui vemos quase o tempo passar, sem passar. Manhã, tarde e noite formam um dia, um ciclo que se resolve em si mesmo, construindo-se incrementalmente, degrau a degrau. Não temos uma causalidade linear e sim uma circularidade causal. A alavanca aplicada em cada linha é a mesma: trocar uma letra. Entretanto o resultado vai se tornando inesperado! Temos uma repetição de comando, mas o contexto do comando afeta o resultado do comando. Ou seja A age sobre B que em retorno age sobre A. Tal mecanismo é denominado regulação e permite a autonomia de um sistema (seja um organismo, uma máquina, um grupo social), a introdução desta idéia de retroação é de Norbert Wiener, um matemático estadunidense, conhecido como o fundador da cibernética.
SOL
sul
sua
LUA
loa
soa
SOL
Wiener chamou essa capacidade de auto-regulagem/controle de “retroalimentação negativa”; “retroalimentação” porque a saída do sistema (o antônimo final) afeta o comportamento futuro, e “negativa” porque, neste exemplo, as modificações efetuadas pela troca de letra de acordo com a regra termostato restabelecem o sentido do conjunto.
Claro que isto tudo que eu percebi é apenas mais um jogo, um modo de olhar um fluxo que distingui em meu viver na coerência de meu acoplamento com o meio. Tenho pesquisado um bocado por conta da série de eventos das Conversações Cibernéticas que se aproximam (serão em julho próximo) e essas ilações surgem e desaparecem o tempo todo para mim.
Quando um autômato for capaz de decidir seus critérios de auto-regulação e também reproduzir a si mesmo, então ele se aproximará da condição humana. Por isso é comum a confusão entre cibernética e robótica, em parte devido ao termo ciborgue (termo que pretendia significar CYBernetic ORGanism = Cyborg).
Para terminar um pouco de tudo, e um nadica de nada de noves fora, mais um poema de AUGUSTO DE CAMPOS que produziu os DOUBLETS em portugues deste texto:
TUDO
ludo
lodo
lado
nado
NADA
30/05/2010 2 comentários
A palestra no Results ON Week foi surpreendente, pelo menos para mim! Minha pré-concepção sobre jornadas de empreendedorismo me levou a esperar uma platéia fria, focada em negócios, ávida por ferramentas de gestão e absolutamente pragmática em relação ao tema da gestão. Bem, o que encontrei lá foi bem diferente.
A comunidade de pessoas que a Results ON vem ativando está bem mais para a inovação sustentável do que para o simples novo negócio lucrativo. Pude perceber pela perguntas, twittadas e conversas de cafézinho que os empreendedores conectados com o evento estavam realmente buscando um equilíbrio entre o sucesso e as melhores práticas de negócios para um mundo melhor.
Não levei nenhum roteiro para a palestra, pelo contrário, inverti totalmente os papéis de palestrante e platéia quando abri o encontro convidando todos a formularem perguntas. Mas perguntar o quê, seu ainda não havia falado nada, não é mesmo? E assim foi, ficamos lá quase três minutos em silêncio, mergulhados em um longo instante reflexivo. Até que alguém quebrou o encanto e fex uma pergunta sobre empreendedorismo. Daí seguimos numa dinâmica deconversação de pouco mais de uma hora.
Destaco aqui um momento do encontro que foi bastante provocativo. Quando eu disse que a inovação não surge apenas para conservar algo, ou seja, a inovação vem para reajustar um sistema que deseja se conservar, um certo incômodo pairou no ar! Então a inovação não existe, só existe a conservação? Bem, o que eu pude dizer é que tudo se organiza a partir do que desejamos conservar. Talvez esta seja a melhor pergunta que um empreendedor possa se fazer para avaliar constantemente a dinâmica de seu empreendimento. Quando desejamos conservar o negócio, a marca ou lucro, nossas decisões se pautam e se formam a partir destas coerências. Se desejamos conservar a satisfação dos clientes, o bem-estar do planeta e a própria saúde e alegria de nossos colaboradores, as decisões talvez sejam outras e os resultados produzidos também.
Falamos bastante sobre a condição humana e nossas características enquanto espécie. O fato de sermos seres cuidadores, que zelam por seus filhotes até certa idade e mantém uma estrutura para isto. Nossa linguagem, desenvolvida a partir de milhões de anos de convivência co-operativa. Nossas emoções como um fluxo imprevisível, íntimo e incontrolável que se entrelaça em nossa razão a cada momento. Olhamos para tudo isso e nos perguntamos, como é possivel reduzir isto tudo a uma simples condição de consumidor ou funcionário?
Me lembro também que alguém trouxe o caso de uma dupla de colaboradores que foram incentivados fortemente a manisfestarem seu entusiasmo, criatividade e empreendedorismo dentro do negócio. Quando finalmente isto aconteceu, eles foram embora para empreenderem sózinhos. A empresa reagiu e os contratou de volta com melhores condições, só que daí eles não apresentaram a mesma garra e resultados esperados. Eu analisei o caso lembrando que um funcionário teve, obviamente, uma vida pregressa à sua entrada na empresa. Em sua história de vida pessoal aquele jovem talvez ocupasse um espaço em sua casa onde ele tivesse que atuar a partir da trangressão, por exemplo, para ser visto e ouvido por seus pais em relação aos seus irmãos. E então este jovem se desenvolveu brilhantemente numa dinâmica pessoal de produzir transgredindo e foi contrado pela empresa por sua produtividade e perfil curricular, mas ignorando esta característica do jovem no espaço de convivência. Justamente aí, quando não enxergamos o ser humano que sustenta as competências que contratamos é que quebramos a cara e a relação se rompe. Só existem relações humanas, não podemos nos enganar em relação à isto, quando não vemos o outro ao nosso lado, seja nosso cliente, investidor ou colaborador, qualquer coisa pode acontecer, certo?
Terminei a palestra convidando um grupo de sete pessoas para o palco onde simulamos um fluxo de conversações cibernéticas dentro de uma empresa. Pudemos ver os departamentos conversando internamente, o fluxo que surge em encontros inter-departamentais, a inserção de novos funcionários neste cenário até mesmo ousamos incluir um cliente para conversar intergindo com uma equipe da empresa, pessoalmente ou pela internet. O exemplo foi absolutamente didático mas creio que serviu para desmistificar a principal ferramenta de ação da Papagallis, as conversações humanas.
Resumindo, gostei muito do clima do encontro. Me senti visto e ouvido a partir de mim mesmo. Pude desfrutar de uma grande diversidade de pessoas tanto no palco como na platéia, fiz novas amizades e passei a gostar ainda mais da pegada do @BobWollheim e do Thomaz Gomes, entre outros. Contem comigo neste jogo, em qualquer posição porque na torcida eu já estou.