Que tempo temos além do instante presente?



time spiral

Upload feito originalmente por strange_wax

A noção de tempo surge como uma explicação constante e recorrente para um paradoxo que experimentamos ao nos percebermos em um presente contínuo que se transforma a cada pulso sincrônico de nossas sinapses cerebrais.

Observamos este momento estático, único tempo em que vivemos, pois não há passado em nossa experiência, apenas na lembrança que conservamos como a explicação da experiência.

E nada muda pois este momento presente é absolutamente sempre o mesmo, sem futuro pois este é apenas uma projeção presumida de acontecimentos que supomos a partir dos vetores de explicação que conservamos para nossas vidas.

Este presente momento estático do instante contínuo que permanece e muda sem se alterar enquanto se transforma, se conservando nesta transformação e se transformando nesta conservação, a isto chamo tempo, e nada mais!

Bandeira de São João by Thais Rabelo

Bandeira de São João by Thais Rabelo

Bandeira de São João by Thais Rabelo

Três gotas diárias

Perfection

Upload feito originalmente por ~jjjohn~

Li sobre as Crianças Selvagens:
Refletindo sobre o viver humano e de como estamos imersos na linguagem, existindo enquanto seres humanos e tendo sido cuidados por outros seres humanos. Então surge aí uma humanidade que não é em si mesma, mas sim um ser humano biológico-cultural! Conhecer os casos registrado de crianças selvagens foi algo muito especial para minha reflexão sobre uma pergunta findamental para os seres humanos vivos: “Como fazemos o que fazemos?”

http://sofadasala.vilabol.uol.com.br/noticia/feralchildren.htm
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2007/01/070119_selvagemcambojaebc.shtml

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Fui convidado para o encontro do Team Academy:
Uma experiência de aprendizado onde não há sala de aula, prova ou professor e que funciona muito bem na Finlândia.
Trata-se de uma escola onde há um modelo inovador para facilitar o processo de aprendizado e o empreendedorismo. A revista Idéia Socioambiental (Março 2009) reconheceu essa escola como uma das 3 melhores iniciativas no mundo de educação para desenvolver competências para a sustentabilidade – “Ensinando a ‘ser’ a mudança”. Infelizmente não irei por estarei em Campos do Jordão no Simpósio de Redes.

http://www3.sp.senac.br/hotsites/intranet/cd/20090615_gep_worshopacademy.html
http://www.tiimiakatemia.net/

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Espalho aqui as chamadas criativas da Eletrocooperativa:
Músicas, vídeos, podcast, fotografias e cartazes podem ser enviados ao portal que promove economia social sob uma perspectiva inovadora. As melhores criações irão ganhar R$ 300. A Eletrocooperativa foi fundada em 2003 no Pelourinho, em Salvador, Bahia, com o objetivo de trazer humanização para o processo de inclusão digital. Como? Transformando o computador em instrumento musical, para que os jovens pudessem produzir sentido em suas vidas por meio da música.

Desde o início implantou uma metodologia própria – a Sevirologia – cujas bases são um ambiente favorável e os estímulos adequados para que os jovens possam aprender na prática e na convivência, sendo responsáveis por suas produções e por sua própria vida.

http://eletrocooperativa.org.br/

Meu outro blog

Depois de publicar o post anterior neste blog (sobre o fim de uma certeza) resolvi divulgar a todos meu outro blog: Reflexões de Biologia Cultural.

Venho mantendo a produção de alguns textos a quase dois anos a partir de minhas reflexões no Curso de Certificação de Biologia Cultural que frequento na UNINDUS com Humberto Maturana e Ximena Dávila.

São textos que podem parecer herméticos mas que, se lidos com atenção,, podem nos conduzir a uma dimensão de compreensão complexa e dinâmica como o próprio viver humano na terra.

Espero que gostem.

Quando olhei novamente minha certeza não estava lá!



Cavalos em Montmartre

Upload feito originalmente por Ascauri

Nesta vida de todo dia
em que me encontro a cada momento
num giro louco de controle ou deriva
noto num ponto em que passo
um rosto que já vi
com uma expressão de dor conhecida
e assim sigo girando
vendo de novo e mais uma vez
até perceber um ciclo
do padrão de certo ritmo,
onde distinguo uma repetição.

Então na próxima volta
por um momento
vejo às vêzes o carrosel em que giro
e os cavalos coloridos que se movimentam
prá baixo e prá cima
sem nunca sair do lugar
mas sempre girando e girando
num caminhar estático
onde tudo de move
mas tu não te moves de ti!

E te vejo vendo eu mesmo neste carrosel
como criança que não cresceu
e que ainda se diverte e tem medo.

Mas seu eu estou lá, girando,
quem sou eu que estou vendo tudo isto?
E de quem é aquele rosto
com uma expressão de dor conhecida?
Será o rosto de alguém
ou é apenas o meu?

Nas perguntas que surgem me solto
em dúvidas de perguntar,
enquanto sentado em meu cavalo,
mais uma vez começava a rodar.
E de novo vejo o rosto,
de novo vejo a dor,
mas me vejo vendo a dor
em um ver de mim que ainda nunca havia visto
e quando olho novamente
uma certeza minha está mais lá!

E um novo mundo cheio de possibilidades já está,
instaurado em um fundamento que podemos chamar,
vida!

Conversando na rede RAIA



Algarra na rede RAIA

Upload feito originalmente por Papagallis

Estive conversando com amigos da rede RAIA (Rede Audiovisual Ibero-Americana) que se reuniram em São Paulo de 19 a 22 de amio no Centro Cultural da Espanha, para seu primeiro encontro de rede. O principal tema do encontro foi a troca de experiências e alternativas para a proteção e promoção da diversidade cultural no que se refere à produção, exibição e reflexão sobre os meios audiovisuais em nossos tempos.

Participam do encontro, Cesar Piva, do projeto brasileiro Fábrica do Futuro, voltada à inclusão social por meio da apropriação de novas tecnologias; Alina Frapiccini, diretora geral de projetos da ONG argentina Fundación Kine, de inclusão social, cultural e educacional de crianças e adolescentes; Dino Pancani, do projeto audiovisual chileno Tramas; Eva Piwowarski, da entidade uruguaia Recam, de produção audiovisual, Suzana Salerno da Paraguay Cultural, organização paraguaia de promoção da diversidade cultural; Humberto Mansillas do Centro de Gestión Cultural Pukañawi – Festival de Cine de Derechos Humanos, entidade boliviana que atua na defesa dos direitos humanos, e Eli Lloveras da produtora cultural espanhola Hamaca.

Eu tive o privilégio de abrir o encontro com a primeira palestra que transformei em uma conversação livre sobre redes sociais como proposta sócio-educativa para mobilização e construção de saberes libertários. Apresentei um pouco do trabalho da Papagallis e as estratégias que estamos adotando para netweaving na ativação de redes em seus espaços presenciais e virtuais.

O encontro foi promovido pelo Divercult, organização cultural internacional fundada no Brasil, hoje com sede na Espanha, e fez parte do projeto Conversas Diversas, que desde fevereiro de 2009, se dedica a refletir sobre o tema. Quem me convidou para a rede RAIA foi Leonardo Brant, também um dos responsáveis pelo projeto.

O DiverCult atua prioritariamente em âmbito ibero-americano e na relação com os países de língua portuguesa. Seu campo de atuação está concentrado em três pilares estratégicos: investigação de práticas, políticas, programas, projetos e atores que contribuam ao diálogo entre culturas; articulação entre representantes destas atividades, em dimensão publica e privada para a construção de uma agenda pública e participativa para a diversidade cultural; difusão de métodos e conteúdos em favor da diversidade consolidando um centro de referencia sobre os movimentos que tangem o tema composto por notícias, artigos, publicações, eventos e acordos internacionais.

O encontro com a rede RAIA para mim foi sensacional. Conheci pessoas realmente comprometidas com a aplicação das artes audiovisuais de modo responsável e ético. Gente de toda a parte da américa do sul e espanha, pessoas realmente inteligentes e divertidas, com uma visão ampliada sobre os os rumos da produção audiovisual de nosso tempo e suas consequências para o modo do viver humano na terra.

Fiz novos amigos, conheci uma rede muito interessante e ainda pude gastar meu espanhol. Valeu mesmo!

Quem me vê assim?



Caricatura Luiz Algarra

Upload feito originalmente por Papagallis

Atendendo um convite do WebLab / LIDEC / Escola do Futuro – USP, a Papagallis participou da coordenação do encontro de preparação dos capacitadores que atuarão no encontro de Capacitação do Acessa Escola (Módulo 2) com 2400 jovens monitores que operam o programa Acessa Escola nas salas de internet das escolas estaduais paulistas.

Atuei na linha de frente do encontro, brinquei com as pessoas, conversei com muitos deles e orientei boa parte do processo.

No fim do dia, saindo da sala, notei esta caricatura no canto do quadro branco. Olhei para algo que seria eu mesmo e pensei: Será que estou meio bravo demais ultimamente?

De qualquer modo agradeço ao anônimo que me registrou. Não deixa de ser um gesto de atenção, concordam?

Competição ou cooperação?

Mami …..

Upload feito originalmente por Wild Dogger

[Este post foi escrito em resposta ao comentário deComentário de João Elias Chaves de Brito em 28 abril 2009 às 14:12 publicado na rede ning Vivo Educa aqui].

Caro João Elias, agradeço sua atenção e aprecio esta conversa te ouvindo a partir de onde você fala. E te ouço falando a partir de tudo que você viu e viveu até agora. Te vejo em um espaço de competição onde a partir da observação de nosso modo de viver, em nossa cultura, você distingue vencedores e perdedores.
Nesta distinção você traz à mão um mundo inteiro de disputa onde apenas o mais forte sobrevive. Em sua fala isto explica sua escolha em preparar sua filha para um espaço de confronto onde ela, com todas as habilidades e competências que puder adquirir, deverá encontrar seu espaço para viver, onde outros fracassam e morrem.

Vivemos mergulhados em uma visão darwinista, onde animais competem como algo que está em sua natureza. Assistimos ao canal de tv animal e confirmamos nossas crenças que tudo que vive compete. Entendemos isto como ciência e aceitamos que a evolução se deu a partir de um processo natural onde o MAIS ADAPTADO sobrevive.

Entretanto hoje já é sabido que Darwin descreveu o mundo a partir de seu tempo, de uma era industrial onde a competição surgia no ocidente como valor econômico e político. Hoje sabemos que cada ser vivo apenas vive o seu viver no momento presente em que vive, conservando seu viver na adaptação de seus sistema ao meio que o cerca. Todo ser vivo mantém sua congruência operacional como meio e conserva seu viver conservando o meio em que vive. Então ninguém sobrevive, apenas vive, ADAPTADO ao meio em vive no momento presente de seu viver. E quando morre, morre apenas, só isso.

Nós que observamos isto tudo, que vemos os pássaros comendo os insetos claros e ignorando os verdes que se confundem na folhagem, nós vemos isto tudo e dizemos: os insetos verdes são os mais adaptados, e os claros são os perdedores. Mas esta contagem, este placar científico/estatístico só existe em nosso olhar, em nossa explicação de observador que somos.

E entendemos as espécies como seres diferentes, porque crescemos em uma cultura onde a diferença é vista como critério de distinção. Para nós camelos e galinhas são seres distintos, que existem a partir de suas próprias espécies e que vivem para preservar suas espécies. Vemos isto porque vemos camelos amamentando camelos e galinhas chocando ovos, então deduzimos que estão preservando suas respectivas espécies.

Mas cada galinha que choca um ovo conserva seu próprio viver cuidando do ovo. Cuidar do ovo faz parte do viver da galinha que choca, não da espécie! A espécie não existe enquanto ser vivo, a galinha sim.

Mas nós vemos a espécie, porque nos vemos como distintos da natureza, e por isso destruímos a natureza para manter o nosso viver. Assim muitos de nós vemos o mundo, e vivemos no mundo que vemos.

Mas podemos também ver que o mundo é um espaço de co-operação, onde tudo existe em uma sistema que segue sem erro. Formigas e tamanduás vivem em um mesmo sistema, não há inimigos, ou predadores. A formiga foge para conservar seu viver, não para fugir de um predador. Então tudo funciona em uma ecologia que se sustenta as vidas dos seres que vivem, cada um deles, o seu próprio viver na adaptação instante a instante com o meio.

Quando olhamos esta ecologia como um todo não vemos a morte, só vemos a morte quando olhamos um ser vivo de cada vez!

Sei que é só uma outra maneira de ver as coisas mas, se eu posso escolher, porque iria viver em um mundo de competição, no esforço e na exigência de luta, se posso estar em um mundo de co-operação, que surge para mim quando olho para ele deste modo.

E é neste mundo que gostaria de ver minha filha viver, claro!

Na escola onde existe a exigência do aprender para competir, este mundo de co-operação não surge. Não só graças aos diretores, coordenadores e professores, mas também pelos pais, que desejam preparar seus filhos para um mundo onde a vida tem o preço da morte de alguém!

Eu não penso no futuro da minha filha

Looking At The Future

Upload feito originalmente por Liel Bomberg

Me lembro que um dia uma colega de curso em Certificação em Biologia Cultural, minha querida amiga Margarita Bosch, trouxe para turma uma questão sobre a maneira como os pais de hoje em dia abordam a educação das crianças. Vivemos preocupados com o futuro do pequenos, e balizamos todas as nossas decisões a partir disto. A escola em que os matriculamos, os cursos complementares em que os engajamos e as atividades que planejamos para o dia a dia das crianças giram em torno da construção de um “futuro” para eles. Entretanto a pergunta de Margarita foi: “-O que estamos vivendo no momento presente com os nossos filhos?”

Não sei o que será da Maria Júlia. Se ela vai gostar de geografia ou matemática. Se vai falar inglês ou ser vegetariana. Ou talvez ela queira escrever muito bem, ou cantar, ou apenas cozinhar para os amigos. Não sei. Também não sei como será o mundo daqui a vinte anos, quando MJ terá vinte e quatro e estará entrando no mercado de trabalho, ou não. Não sei como serão as profissões, nem o que será esperado dos profissionais de então. Não sei nada, ou quase nada sobre o futuro. Ou se a vida escolar de Maria Júlia está adequada para o que virá!

Então porque devo colocar tanta ênfase na frequência das aulas? Ou na entrega dos trabalhos e nas notas das provas? A quem serve isto tudo? O que a escola mantém, afinal? O que garante?

Dia desses Maria Júlia, minha filha de quatro anos, disparou:

- Eu não quero mais ir prá escola!
- Porque não, filha?
- Só tem coisas chatas por lá.
- E os seus amiguinhos?
- Meus amigos são vocês. Papai, mamãe e meus irmãos. Vocês é que gostam de mim…

Então toda a espécie humana surgiu para mim! Uma espécie de cuidadores, de gente que trata seus filhotes até que eles possam caminhar e viver por si mesmos. E todos fomos tratados por alguém. Não há um ser humano vivo que não tenha sido cuidado por outro se humano vivo. Está em nós como uma predisposição biológica. Sermos cuidados é uma confiança em que todos nascemos.

E este cuidado ocorre na intimidade da convivência. No afeto cotidiano de um ninho humano que acolhe o filhote cuidando do pequeno como se cada um cuida-se de si mesmo. No carinho, no amar, na emoção do amor! Neste acoplamento humano vivemos e conservamos nosso viver.

Vamos nos coordenando pouco a pouco, todos os dias, em uma construção incremental da cultura humana que nos mantém aptos e adaptados ao meio que nos cerca. Seguimos vivendo esta adaptação constante que algum observador pode identificar como aprendizagem.

Então aprender pode parecer a coisa mais importante do viver humano, porque quando nos adaptamos e mudamos nossas condutas para nos conservar vivos enquando conservamos o meio que nos conserva vivos, alguém que nos observa poderá dizer: “-Vejam, ele aprendeu!”

Este aprendizado, em determinado momento da história de nossa civilização, deixou de acontecer no espaço de convivência dos humanos que se cuidam, que se amam, e passou a ser realizado na sala de aula, entre humanos que não se conhecem, e não se amam. Então o aprendizado apenas não ocorre, e apenas alguns conseguem memorizar o que é esperado deles, e estes são os bons alunos, e os outros são apenas desvios, falhas, problemas estatísticos de ensino e educação.

Nesta estrutura mal dimensionada de ensino, onde a aprendizagem humana não ocorre, existem outros seres humanos, chamados professores, que tem a função de fazer funcionar algo que não funciona!

Nas minhas andanças profissionais sempre tenho oportunidade de estar com professores, educadores e administradores de escolas e instituições de ensino. Em uma dessas saídas depois do trabalho, depois de alguns copos de vinho entre amigos, uma coordenadora pedagógica de uma conhecida e conceituada escola de São Paulo afirmou:

- Não tem segredo! De tempos em tempos mudamos a orientação pedagógica, ajustamos os métodos e repaginamos os conteúdos escolares mas a receita de bolo é sempre a mesma: para os pequenos, regras, e para os maiores, lições.

Ela continuou explicando que o professor se sente cada vez mais inseguro diante da classe. As crianças são cheias de vitalidade, repletas de estímulos eletrônicos, carentes da convivência com os pais e tudo isto explode na sala de aula, diante do professor. “Segurar” a classe, “conduzir” a turma, torna-se uma obsessão cotidiana que supera o desejo de ensinar. Ter as crianças à mão parece cada vez mais importante do que o processo de aprendizagem de cada um.

Nesse caos relacional que a escola se tornou, como posso, enquanto pai, acreditar que esta experiência vai trazer à minha querida Maria Júlia alguma coisa que ela deverá precisar em seu futuro?

Francamente? Ora, danem-se, hoje minha filha não vai para a escola.